segunda-feira, 4 de junho de 2007

"A História da Regência Orquestral no Século XIX" - 3ª Parte e 4ª Parte

Livro produzido pelo Maestro Carlos Kaminski - Grafe Editorial 1999

Índice






1. Grandes Mestres da Regência
A História da Regência é produto das realizações de inúmeros regentes que trabalharam pelo aprimoramento das interpretações das grandes obras da literatura operística e sinfônica dos séculos XIX e XX. Entretanto, por motivo de abrangência desproporcional, o nosso estudo limita este capítulo àqueles nascidos até a última década do 1800. Desta forma, o trabalho não inclui Maestros de grande expressão nascidos no século XX, como Karayan, Leonard Berstein, Carlo Maria Giulini, Zubin Mehta, Claudio Abbado, Seiji Ozawa, Nikolaus Harnoncourt e Kurt Mazur, entre outros grandes regentes muito próximos da vida musical dos dias atuais.
2. Hans von Bülow (1830-1894)
Na História do desenvolvimento da Direção Orquestral Hans von Bülow representa o momento mais alto dos primeiros regentes profissionais do século XIX.A sua forma de interpretação foi reconhecida em todas suas fases substanciais, até conseguir a mais alta perfeição técnica entre todos os regentes do período, incluídos Liszt e Wagner .A sua dedicação ao estudo da estética da obra musical lhe permitia um entendimento do caráter sonoro da partitura. O seu método minucioso da preparação orquestral rendia excelente resultado artístico.
O trabalho regular, arduo e didático lhe era de muito agrado , por isso aceitava convites para reger os mais diversos grupos orquestrais , independente da qualidade instrumental dos componentes da orquestra. Requisitado pelas melhores Sociedades de Concerto da Europa e dos EUA, privilegiava nas suas apresentações composições de Bach e Beethoven e, preferencialmente, Berlioz, Liszt e Wagner.
O seu sucesso na regência resultou na imitação dos seus traços gestuais mais destacados, como o gesto marcado, a mobilidade corporal, a pose autoritária e sua fisonomia sempre severa, até com alguns efeitos propositais. O seu discurso musical também foi bastante copiado, ao ponto que na crítica musical da interpretação regencial de qualquer Maestro da segunda metade do 1800, se utilizava a frase "Bülow fazia assim" .
3. Arthur Nikisch (1855-1922)
Violinista e Diretor de Orquestra, aluno direto de Hellmesberger no Conservatório de Viena. Sua primeira experiência na regência foi como Maestro do Teatro do Estado de Leipzig em 1878. Regente discutidíssimo pela sua personalidade intuitiva, foi o representante de uma linha de expressão arrebatada, distante de qualquer academicismo.
Reconhecido como um dos maiores regentes da Europa, foi também muito requisitado nos EUA. Regente Titular (Kapellmeister) em 1882 em Leipzig, sucede a Reinecke nos concertos do Gewandhaus em 1895 e realiza paralelamente uma intensa atividade de viagens artísticas como convidado da Orquestra de Berlim. Em 1906 assume o Teatro Estadual de Leipzig e em 1912 se radica nos EUA .
Suas características consideradas brilhantes eram: a espontaneidade, o espírito vivaz e a absoluta liberdade na recriação artística, totalmente na linha expressiva proposta por Liszt e Wagner.
4. Felix Weingartner (1863-1942)
O regente que no fim do 1800 e nas primeiras décadas do novo século reúne a seriedade de Bülow e a vivacidade de Nikisch é Felix Weingartner, a quem podemos aclamar como o maior realizador do ideal de interpretação artística antes de Toscanini e Furtwängler. A profundidade do seu discurso regencial tem a legitimidade histórica de ter assistido a inúmeros ensaios dos mais célebres regentes do fim do século XIX.
Seus gestos regenciais eram sóbrios e pequenos, muito próximos da prática antiga de Spontini e Mendelssohn, sobre os quais Weingartner tinha lido críticas e correspondências publicadas em jornais lítero-musicais. Autor de música teatral, Weingartner expôs os seus pensamentos em diversos artigos publicados no Allgemeine Musikzeitung, a partir de 1905 e no texto "Sulla Direzione D'orchestra" (Versão em Italiano de Adriano Lualdi), onde divide seus conceitos de Regência com uma primeira parte crítica que alterna opiniões favoráveis e desfavoráveis sobre os regentes da época e uma segunda parte teórica, onde trata do seu ponto de vista sobre assuntos certamente não originais da Técnica de Regência mas, sem dúvida, nem sempre discutidos ou desenvolvidos com a necessária profundidade no estudo da práxis regencial.
Após ocupar cargos de segundo Regente e Diretor Convidado em grandes centros como Berlim, Munique, Nova York e Paris, o grande sucesso obtido em 1908 junto à Orquestra Filarmônica de Viena lhe rende o cobiçado cargo de Diretor Principal da maior instituição orquestral da Austria .
5. Arturo Toscanini (1867-1957)
Arturo Toscanini é o intérprete que na sua especialidade, a concertação vocal-instrumental, mostra a mais elevada e perfeita relação entre o seu espírito pessoal e a obra de arte. Toscanini oferece uma gama muito ampla de argumentos aos problemas interpretativos e, dentro das soluções adotadas, parece sempre ter o domínio estético-formal e a necessária experiência técnica.
Toscanini é para a prática orquestral o ponto mais elevado do seu desenvolvimento. Toda a sua envergadura artística foi conquistada após mais de trinta anos de prática orquestral - quando contava aproximadamente cinqüenta anos de idade -, mostrando sempre uma dedicação incondicional à estética da obra musical. Toscanini exclui de seu repertório as obras do '600. Muito raramente inclui obras do '700 italiano ou alemão. Rege poucas obras de Haydn e de Gluck, mas seu entusiasmo foi muito grande por Mozart e Beethoven. Foi também grande divulgador das obras dos compositores contemporâneos Europeus e Americanos da primeira metade do século XX.
Para Toscanini o mais importante não era dirigir uma orquestra. Seu método interpretativo estava sempre à procura do texto musical, da prosódia, do colorido instrumental com sólido estudo da estética e da estruturação da forma musical. Suas mãos, sua batuta, seus olhos e seus braços pareciam transmitir em gestos pequenos toda a extensão e intensidade da Composição Musical. Toscanini era grande não só por conseguir fazer soar a orquestra, mas porque possuía uma imagem interna da interpretação adequada de cada obra musical que regia. Seus ensaios (agitados e nervosos), visavam a total dedicação ao aperfeiçoamento interpretativo da obra de arte.
Diretor do Teatro "Alla Scala" de Milão, Diretor do Metropolitan de Nova York, regente da Orquestra Filarmônica de Nova York e da Rádio NBC, Toscanini representa socialmente a imagem ou protótipo do Regente de Orquestra e, a rigor, encerra um ciclo que nos permite afirmar que após o grande mestre italiano ninguém conseguiu dar à Regência prática alguma visão interpretativa ou técnica que já não fosse do conhecimento do público amador e da crítica especializada. Mesmo quando grandes Mestres da Regência do século XX como Berstein e Karayan - ou a nova geração de Zubin Mehta e Claudio Abbado -, se destacam pela interpretação do repertório convencional, Toscanini representa o topo da evolução técnica - interpretativa da História da Regência.
6. Wilhelm Furtwängler (1886-1954)
Notável regente alemão, com destacada atuação à frente da Orquestra do Gewandhaus, da Orquestra Filarmônica de Berlim, da Ópera de Berlim e junto à Orquestra Filarmônica de Viena. Sua arte pode ser definida como a capacidade de, a cada apresentação musical, recriar espontaneamente o pensamento do compositor.
Suas marcações, propositalmente imprecisas, resultavam em sonoridades mais amplas e ligadas que afetavam o andamento musical e criava sensações de uma percepção espiritual única entre os regentes profissionais (possivelmente só Seiji Ozawa consegue nos dias de hoje uma aproximação com o grande mestre alemão).
Autor de numerosos artigos em Revistas e jornais da Alemanha, defendia uma visão positivista da realização da obra musical. Escreveu o manual "Das Dirigirent", comentado nos estudos musicológicos de Andrea Della Corte, onde manifesta suas idéias sobre o processo de recriação artística.
7. Bruno Walter (1876-1972)
Originalmente chamado Schesinger, nasceu em Berlim e teve severa formação musical no ambiente privilegiado da cidade. Assistiu a concertos e ensaios de Bülow, Nikisch e do jovem Weingartner. Foi assistente de Mahler na Ópera da Corte de Viena, Diretor da Ópera de Munique e Regente Associado do Covent Garden de Londres. Diretor dos Concertos do Gewandhaus de Leipzig e do Concertgebouw de Amsterdam. Se estabeleceu nos EUA fugindo do nazismo, regendo sucessivamente a Orquestra de Los Angeles, a Filarmônica de Nova York e no Metropolitan Ópera House.
Walter se destacava por uma regência onde prevalecia o gesto sóbrio, pequeno e discreto. Sua mão direita era clara, sem os rodeios imprecisos da batuta de muitos regentes que não conseguiam transmitir com clareza o tempo musical. Sua mão esquerda só era utilizada para marcar entradas, ataques, ou regular a dinâmica. Sua postura revelava pouca mobilidade, mas sempre atento e vigilante, com seu olhar eloqüente e dominador.
O próprio regente gostava de se autodefinir não como um criador da arte e sim como um recriador, conforme atestam Lualdi e Della Corte. Com Toscanini e Furtwängler, Bruno Walter forma a tríade que pela sua contemporaneidade, mentalidade, cultura e laboriosidade representa o momento mais alto da interpretação regencial, sobre a qual se consolida a técnica básica da Regência Orquestral praticada até os nossos dias.
8. Gustav Mahler (1860-1911)
A carreira composicional de Mahler as vezes encobre a sua importância como grande maestro, mas os cargos de Regente Principal e/ou como Segundo Regente no Landestheater de Praga, na Ópera de Leipzig, no Staadtheater de Hamburgo, na Ópera Real de Budapest e na Hofoper de Viena, lhe permitiram consolidar uma carreira regencial de alto prestígio.
De origem judia, Mahler enfrentou diversos problemas na Alemanha e na Áustria, tendo que migrar para os EUA, onde regeu primeiro a Ópera House e depois a Orquestra Filarmônica de Nova York. Sua forma de reger, ampla, arrebatada e fascinante; a sua personalidade tirânica e o claro domínio da obra musical, forçavam um misto de intimidação e novos estímulos na interpretação musical, conseguindo efeitos extraordinários em relação aos timbres instrumentais e a mais alta espiritualidade na recriação da obra de arte .
9. Richard Strauss (1864-1949)
Regente e compositor alemão. Nascido em Munique, foi influenciado pelo pensamento estético de Liszt e Wagner. Aos 17 anos já era Regente Assistente da Ópera de Munique e convidado de importantes centros orquestrais da época. Regeu em Beyreuth, sendo em 1896 promovido ao cargo de Regente Principal da Ópera de Munique. A partir de 1908 foi regente assíduo das orquestras da Corte de Berlim, da Ópera de Berlim e, em 1919, Diretor Adjunto da Ópera de Viena.
Como regente com toda a sua agenda lotada por vários anos, rege na América do Norte e na América do Sul. A sua forma de dirigir definiu o tipo da chamada Regência "Straussiana", onde a mão e braço direitos marcam o tempo principal e a mão e braço esquerdos permanecem relaxados junto ao corpo, sendo acionados só para algumas entradas importantes ou para marcar alguma dinâmica diferenciada. Este estilo de Regência foi seguido por Carlo M.Giulini e Kurt Mazur, entre outros regentes do século XX .
10. Willem Mengelberg (1871-1951)
Regente nascido na Holanda. Após estudos em Utrech e Colônia assumiu em 1895 - com vinte e quatro anos de idade -, a Direção do Concertgebouw de Amsterdam, cargo que ocupou pelo resto da sua vida profissional, tornando essa Orquestra um conjunto de alta qualidade, reconhecidamente como uma das melhores do mundo.
Famoso pelas interpretações das obras de Richard Strauss e Gustav Mahler, Mengelberg era regente meticuloso e disciplinado, se destacando pelo uso uniforme das articulações dos instrumentos de arco e dos instrumentos de sopro. Dotado de grandes conhecimentos técnicos, Mengelberg era ousado na realização artística, tratando de forma livre e intuitiva as indicações originais dos compositores, recriando dessa forma novas versões da obra de arte.
11. Thomas Beecham (1879-1961)
Um dos mais famosos regentes da Inglaterra, criou e dirigiu a British National Company, a Orquestra Filarmônica de Londres e a Royal Philarmonic Orchestra. Maestro intuitivo, de formação autodidata, Beecham se destacava pelo impulso incondicional para a criação e manutenção de conjuntos instrumentais, formando, organizando e regendo diversos grupos de alto nível artístico. Suas características principais como regente eram o ritmo firme e o fraseado romântico.
12. Adrian Boult (1889-1983)
Regente nascido na Inglaterra, estudou em Oxford e no Conservatório de Leipzig. Sua técnica era controlada e sóbria, apesar de Boult ser bastante influenciado por Nikisch. Escreveu dois textos sobre Regência, os quais se encontram esgotados: "A Handbook on the Technique of Conducting" e "Thougts on Conducting". Diretor da Orquestra da BBC de Londres e da Orquestra Sinfônica de Londres, sua grande discografia revela amplo domínio do repertório tradicional e a sua atividade artística a favor dos novos compositores da Inglaterra.
13. Charles Münch (1891-1968)
Regente e violinista nascido na Alsácia. Estudou em Paris e Berlim, sendo primeiro violino da Orquestra do Gewandhaus de Leipzig entre os anos de 1926 e 1933 - baixo a direção de Wilhelm Furtwängler -, onde obteve grande experiência como preparador instrumental e "Concertino" de orquestra.
Foi Regente Principal da Orquestra Sinfônica de Boston de 1948 a 1962, se destacando pelas interpretações vivas, espontâneas e extremamente dinâmicas da música Francesa, Espanhola e Americana, assim como na recriação artística das obras de Johannes Brahms.
A sua versão das quatro sinfonias de Brahms permanece até hoje como um importante registro discográfico do mais alto nível interpretativo. Os vídeos gravados dos seus ensaios e apresentações musicais revelam o gesto preciso - com pleno domínio da batuta -, e uma extraordinária musicalidade na regência do mais amplo repertório romântico e das grandes obras sinfônicas do século 20.
14. Pedagogos da Orquestra
Neste capítulo registramos o nome de diversos regentes que tiveram destacada atuação no campo da regência, como verdadeiros formadores ou "concertattori" de orquestras, isto é, os chamados Pedagogos de Orquestra, notáveis preparadores de conjuntos instrumentais.
15. Ernest Ansermet (1883-1969)
Um dos grandes realizadores da atividade regencial, nasceu na cidade de Vevey, Suíça. Como regente, iniciou em 1915 os "Concertos por Assinatura" na cidade de Genebra e que três anos depois permitiriam a consolidação da Orquestra da "Suise Romande", da qual Ansermet foi Diretor Artístico por várias décadas.
Amigo pessoal de Igor Stravinsky, foi indicado a Diaghilev como Regente Principal da Companhia de Balé Russo. Em 1916, fez sua estréia nos EUA e em 1917 na América do Sul. Pedagogo brilhante, incentivou a partir de 1915 cursos de Técnica de Regência na cidade de Montreaux. Idolatrado pelo público suiço como regente de alto nível, se destacou como um dos melhores preparadores de orquestra.
16. Tulio Serafim (1878-1968)
Nascido na cidade de Veneza, atuou como violista do Teatro "Alla Scala" de Milão, onde posteriormente ocupou os cargos de Preparador de Orquestra e Regente Principal. Diretor de Concertos do Teatro Augusteo de Roma, Regente de ópera no Metropolitan de Nova York e Diretor Artístico do Teatro da Ópera de Roma, Serafim se destaca como grande "Concertattore" de espetáculos operísticos e de Concertos Sinfônicos.
Sua habilidade na dinâmica imprimida aos ensaios e seu profundo conhecimento dos instrumentos da orquestra lhe permitiam um desempenho profissional muito bem aceito tanto pelas orquestras que regia como pela crítica especializada, sendo amplamente elogiado pela sua produção expressiva e bem equilibrada do Melos musical.
17. Eugene Ormandy (1899-1985)
Diretor de Orquestra, naturalizado Norte-americano. Foi regente da Orquestra Sinfônica de Minneápolis e dividiu com Stokowski a regência da Orquestra de Filadélfia, na qual posteriormente foi aclamado como Regente Principal. Ormandy elevou a produção da Orquestra de Filadelfia ao nível das melhores do mundo, mostrando seu grande talento como preparador orquestral e dando ao conjunto um colorido tímbrico de alta realização técnica e estética. As suas inúmeras gravações em vídeo do repertório tradicional e contemporâneo da Composição Musical, permite ratificar a sua alta qualificação artística.
18. Leopold Stokowski (1882-1977)
Diretor de Orquestra, naturalizado Norte-americano. Estudou em Londres, sua cidade natal, no "College of Music". Estabelecido nos EUA desde 1905, rege a Orquestra Sinfônica de Cincinnati e, posteriormente a Orquestra de Filadelfia, à qual deu grande impulso artístico e promocional. Criador dos "Concertos para a Juventude" no ano de 1933, formou uma grande platéia de novos ouvintes de Música Erudita. A partir de 1936, Stokowski se aproxima da Música Pop e do cinema, colaborando nos Estúdios Walt Disney em célebres gravações como a do filme "Fantasia". Regente da Orquestra Filarmônica de Nova York (em conjunto com Dimitri Mitropoulus), foi incansável formador, tendo o mérito de ter aproximado a Música Erudita do grande público.
19. Serghei Kussevitzky (1874-1951)
Diretor de Orquestra e Contrabaixista russo, estudou em Moscou e foi integrante da Orquestra do Teatro Bolshoi. Regente da Orquestra de Petrogrado a partir de 1917, em 1924 aceita o cargo de Diretor Estável da Orquestra Sinfônica de Boston, onde foi seu mentor até o ano de 1949. Foi o fundador do Berkshire Music Center em Tanglewood, Massachusetts, que se tornou um grande polo de difusão musical.
Reconhecido como formador de novos maestros, entre os seus discípulos podemos citar Leonard Berstein e Eleazar de Carvalho. Célebre preparador de Orquestra, se destacou pela sonoridade ampla que conseguia nos instrumentos de Arco e pela precisão e articulação dos instrumentos de Sopros.
20. Fritz Reiner (1888-1963)
Nascido em Budapest, se naturalizou americano a partir de 1922, quando assumiu a Orquestra Sinfônica de Cincinnati. Posteriormente foi Diretor da Orquestra de Pittsburgh, da Ópera de San Francisco, da Orquestra de Chicago e convidado regular da Orquestra Filarmônica de Viena.
Tido como grande preparador musical, Reiner conseguia os mais brilhantes resultados sonoros pelo deu método minucioso de ensaio. Regente cuidadoso, foi amplamente elogiado pela crítica americana e vienense.
21. Pierre Monteaux (1875-1964)
Diretor de Orquestra francês, foi destacado regente do Balé comandado por Diaghilev. Diretor permanente junto ao Metropolitan de Nova York, da Orquestra Sinfônica de Boston e Co-Diretor -com o grande Mengelberg-, da Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam.
Criou a Orquestra de Paris em 1928 e voltou posteriormente para os EUA para dirigir a Ópera de San Francisco, sendo finalmente nomeado Primeiro Diretor da Orquestra Sinfônica de Londres. Em Paris, criou uma Escola de Regência, onde passaram diversos Maestros da nova geração de Diretores de Orquestra e onde Monteaux ministrava os seus conhecimentos de exímio preparador orquestral.
22. Erich Kleiber (1890-1956)
Regente austríaco. Estudou em Viena e Praga, atuando como Diretor da "Staatoper Berlin". Maestro minucioso e detalhista, era admirado pela interpretação e concertação das obras dos compositores contemporâneos. Foi o primeiro Maestro a reger a Ópera Wozzek de Alban Berg, para a qual utilizou nada menos que 137 ensaios.
23. Otto Klemperer (1885-1973)
Regente alemão. Estudou em Frankfurt e Berlim, recebendo incentivo de Gustav Mahler. Sua fama de verdadeiro paladino da música de vanguarda lhe rendeu convites para reger as grandes orquestras do mundo. Em 1933 emigrou para os EUA e em 1951 passou a reger constantemente a Orquestra Filarmônica de Londres, da qual se tornaria Diretor Principal. Foi também grande preparador das melhores versões dos compositores austro-alemães, mostrando todo um equilíbrio formal apurado.
24. Conclusão
A História da Regência no século XIX é um registro do perfil dos artistas que conseguiram estabelecer as bases da Regência Contemporânea. No desenvolvimento do trabalho foram relatadas informações sobre Antecedentes da Regência, antes da consolidação da Orquestra Sinfônica, visando conhecer a forma de dirigir anterior ao advento do Regente Profissional.
A Pesquisa da literatura ao nosso alcance permitiu a identificação de importantes Diretores de Orquestra, a quem denominamos como Precursores da Regência. O estudo da bibliografia nos permitiu elaborar um capítulo de grande relevância relacionado com regentes que podem ser considerados como Teóricos da Regência.
O capítulo anterior foi acrescido com o tópico Outros Teóricos da Regência, onde adicionamos nomes bastante significativos para a arte regencial. Mesmo tornando a abrangência do trabalho muito ampla, não podemos deixar de relatar novos tópicos importantes para ciência e registro, como: Outros Regentes importantes, Grandes Mestres da Regência e os chamados Pedagogos de Orquestra, com informações valiosas para a atividade docente.
O trabalho foi completado com uma Bibliografia comentada, onde registramos o nosso parecer sobre os textos estudados. Finalmente, os assuntos relatados permitem a abertura de novas pesquisas sobre Regência, entre as quais podemos sugerir os seguintes temas e áreas de conhecimento:
Sociologia: A função social do regente.
Sociologia da Arte: Regência - Produção e consumo da obra artística
Psicologia: Processos dinâmicos nos ensaios de orquestra.
Educação: Métodos e técnicas de preparação de uma orquestra.
Semiótica: Leitura dos códigos gestuais de um Regente


"A História da Regência Orquestral no Século XIX" - 4ª Parte
Livro produzido pelo Maestro Carlos Kaminski - Grafe Editorial 1999



BIBLIOGRAFIA COMENTADA
BAPTISTA, Raphael - "Tratado de Regência", São Paulo, Irmãos Vitali, 1976
Esta obra pode ser considerada como muito importante pelos seus conceitos técnicos específicos e nas generalidades do ato de reger. Entretanto, considera o processo de ensino como uma "automatização". Outra constatação obvia é que não reúne considerações sobre conceitos Históricos da Regência, desenvolvendo só exemplos para a prática gestual.
BERLIOZ, Hector - "O diretor de Orquestra" - (Texto comentado estudo)
DAS ORCHESTER - "Revista mensal de música" - Frankfurt, Schott.
Uma das mais importantes revistas musicais de publicação mensal, com artigos sobre todas as áreas da musicologia. Diversas matérias foram utilizadas na bibliografia e outros artigos serviram para comparações com trabalhos aqui estudados. Exemplares do ano de 1994 - nº 2 - p. 4 a 11, - nº6 - p. 11 a 14, - nº 7 / 8 - p. 12 a 16, - nº 9 - p. 7 a 14; 1995 - nº - 2 - p. 8 a 13 e 1996 - nº 1 -, p. 22 e 23, - nº 7 / 8 - p. 9 a 14, - nº 10 - p. 11 a 18, - nº 11 - p. 25 a 27.
DELDEVEZ, Edouard.M.E. - "A Arte do diretor de orquestra" - (Texto comentado no estudo )
DELLA CORTE, Andrea - "L'Interpretazione Musicale e gli interpreti", Unione Tipográfico, Ed.Torinese,1952, p. 1 a 218.
Um trabalho extraordinário do grande musicólogo italiano. Particularmente importante na sequência do desenvolvimento técnico e artístico da Regência e de sua conceituação.
GALKIN, Elliot.W. -"A History of orchetral Conducting in Theory and Practice", New York Pendragon Press, 1988, 893 p.
Em nossa opinião, este trabalho é o único estudo abrangente e profundo já realizado na parte Histórica da Regência. Entretanto, possui uma organicidade complexa e não desenvolve em toda sua extensão a conceituação musicológica da Regência em Berlioz e Wagner que, a nosso ver, são indiscutivelmente os verdadeiros Teóricos da Regência contemporânea.
GALLO, J.A. et alli - "El director de Coro", Buenos Aires, Ricordi, 1975, 150 p.
Apresenta um registro metódico mas simplificado da regência. Não possui maior informação sobre conceituações básicas, nem um perfil histórico das diversas formas de regência.
GASSNER, Ferdinand Simon - "Dirigirent und Ripienist". (Texto comentado no relatório).
KAMINSKI, Carlos - "O gesto e o som: Tópicos Metodológicos para o Ensino de Regência nos cursos de Educação Artística", São Paulo, Dissertação de Mestrado, ECA-USP, 1989, 120 p.
Trabalho de nossa autoria onde os princípios filosóficos da Arte-Educação permitem sensibilizar o movimento e vivenciar a gestualidade pela prática do processo criativo. Não contém informação histórica, servindo apenas como referência para a percepção dos processos criativos da interpretação regencial.
KAMINSKI, Carlos - "A Imagem e o Som: A Comunicação e a Expressão Cinésica na Regência Orquestral.", Tese de Doutoramento, ECA-USP, 1995, 150 p., 1 vídeo.
Reúne informações básicas sobre antecedentes históricos e conceitos de Regência, produto da nossa pesquisa aqui relatada e ligada ao Departamento de Música do Instituto de Artes da UNESP.
KAMINSKI, Carlos - "Toscanini" - Artigo apresentado em seminário do Curso de Pós-Graduação da ECA-USP, 1994, 26 p.
Reúne informações biográficas de Arturo Toscanini e os mais importantes conceitos das suas idéias sobre a arte da interpretação musical do regente.
LUALDI, Adriano - "L'Arte de dirigire l'orchestra", Milano Ulrico Hoepli,1949, 592 p.
O grande musicólogo italiano nos apresenta um texto riquíssimo em informações sobre os grandes nomes da regência do século XIX. Reúne no mesmo trabalho, a tradução para a língua italiana dos originais de Berlioz e de Wagner, fonte da nossa pesquisa sobre conceitos da regência.
RUDOLF, Max - "The Grammar of Conducting", New York, G.Schimer, 1950, 350 p.
Texto estritamente técnico. Apesar da alta qualidade técnica do conteúdo, não informa nem remete a qualquer citação histórica sobre conceitos de regência.
SCHERCHEN, Hermann - "Manuale del direttore d'orchestra", Milano, curci, 1979, 343 p.
O texto do maior professor de regência de todos os tempos não se notabiliza pela fundamentação de uma História da Regência. Seus conceitos mais importantes são a vivência interior da partitura musical e a imagem mental da obra a ser dirigida.
WAGNER, Richard - "A Arte de dirigir a orquestra"
ZANDER, Oscar - "Regência Coral", Ed.Movimento, Porto Alegre, 1979, 330 p.
Texto abrangente, porém sem grande aprimoramento técnico. Oferece uma visão histórica da regência bastante superficial e discorre desde aspectos conceituais até Formas da Música Coral.
Outras fontes:
The New Grove Dictionary, London, Macmillan Publishers Ld., 1980.
Enciclopedia della Musica Ricordi, Ricordi, Milano, 1977.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
BACHMANN, A. - An Encyclopedia of the Violin, Da Capo Press, New York, 1966.
BAS, Julio - Tratado da la Forma Musical, Buenos Aires, Ricordi, 1983.
CARPEAUX, Otto M. - Uma nova História da Música, Rio de Janeiro, Alhambra, 1977
DISHINGER, R.C. - Conducting Technique Workbook, Indiana, Studio 224, 1976.
FINN, Willian, J. - The Conductor: Raises his baton, New York, Harper, 1944.
FORINO, Luis - Apuntes de História y Estética de la Música, Bs. Aires, Ricordi, 1975.
FUBUNI, E. - La Estética Musical desde la Antigüedad hasta el siglo XX, Alianza Ed., Madrid, 1930.
GROSBAYNE, Benjamin - A perspective on the Literature of Conducting, Ed.Royal Musical Ass., 1941.
GEHRKENS, Karl - Twenty Lessons in Conducting Philadelfia, O. Dictson Company, 1930.
INGHELBRECHT, D.E. - The Conductors Worlds London, Nevill, 1960.
INGHELBRECHT, D.E. - Le Chef d'orchestre et son èquipe Paris, René Juilliard, 1949.
KAHN, Emil - Workbook for conductin, New York, The Free Press, 1965.
KAMINSKI, Carlos - Desenvolvimento da Orquestra de Cordas no Período Barroco. Departamento de Música do IA-UNESP
KELLER, H - Fraseo y articulación: contribuición para una lenguística musical, Eudeba, Buenos Aires, 1964.
KOELLREUTER, H.J. - Harmonia Funcional: Introdução à Teoria das Funções Harmônicas, São Paulo, Ricordi, 1978.
LABUTA, Joseph - Basic Conducting Techniques, New Jersey, Prentice Hall, 1989.
LANDOWSKI, M. - La Orquestra, Eudeba, Buenos Aires, 1964.
MARTINEZ, José Luiz - Música e Semiótica: um estudo sobre a questão da representação na linguagem musical. PUC-SP, 1991.
MUNIZ NETO, J. V. - A Comunicação Gestual na Regência Orquestral. São Paulo, Annablume, 1993.
RECTOR, M-TRINTA - A Comunicação - não verbal: a Gestualidade brasileira. Petrópolis, Vozes, 1985.
REYNOR, Henry - História Social da Música: da Idade Media a Beethoven, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1981.
PROD'HOMME, J.G. - Hector Berlioz as vie et ses ouvres. Paris, Delagrave, 1913.
SPINA, Segismundo - Normas gerais para os trabalhos de grau, São Paulo, Editora Fernando Pessoa, 1974.
Outras fontes:
"Publex , S.A". - História de la Música, Buenos Aires, Revista semanal, Exemplares 01 a 26, 1965.
"El Mundo de la Música" - Enciclopédia Musical, Buenos Aires, Editora Ars, 1966.

Um comentário:

Beetholven Cunha disse...

Ilmo. Mo. Emanuel Martunez...
Me chamo Beetholven Cunha e sou professor do curso de composição e regência na Escola de Música Adalgisa Paiva (convênio da prefeitura de Teresina com a Universidade Federal do Piauí).
Gostaria de parabeniza-lo pelo fantástico blog com o conteudo didático informativo. Já indiquei para meus alunos. Sucesso em seu trabalho e obrigado pela atenção.
Beethlven Cunha
mto.beetholven@hotmail.com